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Rapa Uro

Reino Unido de Rapa Uro/Rapa Uro Malo Afata



 



 



Ivanlandia renovada-0


Lema: Fatasiga Ale Autau/União dos Guerreiros



Gentílico

Rapaurenho

Capital

Nui Menara

Maior Cidade

Nui Menara

Língua Oficial

Português e Uro Moderno

Governo: - Monarca - Primeiro Ministro

Monarquia Constitucional

Tane'Manuia Hokumele

Blanny Koga

Independência

- Declarada

de Portugal

26 de fevereiro de 1804

Área Total

População (2016)Densidade Demográfica

230.514 km²

14.493.00 hab. 63hab./km²

Moeda

Uro Nyata (UN$)

Código (País)

RPU

TLD (Internet)

.rp

Clima

Predominantemente Tropical

IDH

0,767 (elevado)

Rapa Uro (oficialmente Reino Unido de Rapa Uro ou Rapa Uro Malo Afata) é país localizado na Região do Pacífico Sul, a sudoeste de Pitcairn e do País Menor. O país é um arquipélago dividido em quatro ilhas principais, Henua Menara, Omaomana, Motuanari e Hikina Kahua . Sua capital é Nui Menara,suas línguas oficiais são o português e uro moderno e sua moeda é o Uro Nyata. Possui área de 230,514 km² e uma população de pouco mais de 14 milhões de pessoas.

EconomiaEditar

Atualmente Rapa Uro tem uma economia bem industrializada para países em desenvolvimento, consequência dos projetos de modernização que se iniciaram após a independência. Entre os principais setores da indústria estão o naval, o automobilístico e o petroquímico. As regiões de Benta Kalela, Bom Jesus, Nui Menara, Witike, Esmeraldina e entornos da cidade de Anarico concentram a maior parte da indústria. No setor primário destaca-se a mineração e na agricultura a produção de grãos. Estas atividades estão relacionadas às ilhas de Motuanari e Hikina Kahua. Sendo um país repleto de praias paradisíacas, o turismo também cumpre um importante papel na economia rapaurenha. Os destinos mais procurados são Nui Menara, Anarico, Mapopo, Wakahali, Bom Jesus e Balneário dos Diamantes. 

Cultura e ReligiãoEditar

A cultura de Rapa Uro é bastante híbrida, tem como base uma mistura de tradições polinésias e lusitanas. A música tradicional varia de acordo com a região, possui desde arranjos de origem do pacífico a fados. O pop rapaurenho possui muita influência de ritmos polinésio, do rock and roll, do reagge e do rap. Rapa Uro é um país tropical, de modo que a vestimenta da população é simples e descontraída, com as roupas típicas guardando também várias semelhanças com as de países como Samoa, Tonga ou Fiji. A elite sempre foi influenciada por um estilo mais europeu de se vestir, fruto da herança lusitana. Desde o fim do século XIX o país passou por forte influência cultural da Inglaterra e também de povos que imigraram para a ilha como japoneses, chineses, irlandeses e árabes. Devido à proximidade de idiomas, o Brasil também influencia fortemente a cultura de Rapa Uro através de sua música e de programas de TV.  A principal religião de Rapa Uro é o catolicismo. Aproximadamente 63% dos rapaurenhos são católicos, outros 10% são protestantes, 17% não possuem religião e 10% seguem outra fé. Cabe ressaltar que no país, o catolicismo foi extremamente misturado com outras religiões locais e ancestrais, produzindo um forte elemento de identidade nacional.

Demografia Editar

Rapa Uro tem aproximadamente a área do Laos, ou da soma da Inglaterra com a Escócia. A maior parte de suas principais cidades é litorâneas. O país está dividido em quatro ilhas principais e nove províncias. A ilha de maior população e área é a de Henua Menara - onde está localizada a capital Nui Menara - que possui pouco mais de 5 milhões de habitantes.  Segundo o Censo Populacional de 2016, os rapaurenhos da etnia Uro correspondem ao total de 60% da população nacional, desconsiderando os 16% de origem mestiça. Por muito tempo não houve uma definição clara do que era a etnia “uro” para além de alguém que nasceu na Ilha. A identidade nacional construiu-se mais intensamente a partir da independência. As identidades específicas das quatro ilhas são de um modo geral muito ressaltadas pelos rapaurenhos.  Imigrantes cumprem um peso importante no país desde o período colonial quando espanhóis, portugueses e africanos chegaram á ilha. No entanto, foi com o Plano Nacional de Imigração, elaborado na época do Império, que o quadro demográfico do país se alterou e diversificou-se fortemente. Japoneses, irlandeses, portugueses, chineses, espanhóis e ingleses em um primeiro momento e nigerianos, angolanos, brasileiros, samoanos, fijianos e árabes em um segundo estiveram entre os maiores grupos de imigrantes do país. Atualmente, 40% da população do país tem algum grau de ancestralidade não-uro, dos quais 19% não tem qualquer ascendência polinésia. Imigrantes ocuparam sobretudo as regiões de Anarico, Nui Menara, Witike e Witiki’inas e Esmeraldina.

Ilhas e ProvínciasEditar

Henua Menara

É a ilha de maior área e população, possui aproximadamente 5 milhões de habitantes. Está divida entre as províncias de Nui Menara, Benta Kalela e Mapopo. A cidade de Nui Menara é a capital do país, sendo também a cidade mais populosa.  

Omaomana

Situada ao noroeste, possui poucos mais de quatro milhões de habitantes, sendo assim a segunda ilha mais populosa e de maior densidade demográfica do país. Está dividida entre as províncias de Witike, Esmeraldina e Bom Jesus. Das quatro ilhas, é a mais industrializada.

Motuanari

Localizada à nordeste, é a segunda maior em área e terceira mais populosa do país, com aproximadamente 3,5 milhões de habitantes. Está dividida entre as províncias de Anarico e Buen Viaje. Possui uma fauna vastamente diversificada.  

Hikina Kahua

Localizada ao sudeste, é a mais isolada das quatro ilhas. Passou a integrar Rapa Uro após a independência, como consequência de uma guerra civil. Possui uma única província, a de Termas Reais. Tem aproximadamente 2,3 milhões de habitantes.

IdiomasEditar

Os idiomas oficiais de Rapa Uro são o Português e o Uro Moderno. O idioma lusitano foi introduzido na ilha no início do século XVI junto com a chegada dos portugueses, mas começou a ser utilizado com maior frequência no século seguinte, quando começaram as conversões em massa ao cristianismo. Com as Reformas Pombalinas realizadas no final do século XVIII, a administração passa a utilizar exclusivamente o português, e o idioma passa a ser o mais falado entre as elites, mesmo entre aquelas que eram nativas.  Nessa época não havia um idioma Uro unificado e sim vários dialetos regionais que guardavam muitas semelhanças entre si. À época da independência, o português já era tão utilizado quanto os dialetos uros nas cidades, ainda que não fosse no campo. Os projetos de modernização na época do Império apostaram no português como língua comum do país, até pelo fato de não haver concretamente um idioma Uro unificado ou uma gramática específica para ele. Outra razão para isso foi o melhor trânsito entre as principais potências econômicas do mundo. A educação a princípio foi realizada no idioma português, com o Uro da ilha de Henua Menara sendo utilizado pela administração central e os dialetos regionais pelas administrações locais.  No final do século XIX investiu-se em uma gramática do idioma Uro, configurando o que se chama atualmente de Uro Moderno. A partir dos anos 1920 este idioma passou a ser também lecionado nas escolas, ainda que seu uso comum tenha sido relativamente pequeno. Na atual Rapa Uro o idioma português costuma ser utilizado em relações públicas, na administração, na maioria das rádios e das tvs, nas escolas. Nas ruas é comum a utilização tanto do português quanto do uro moderno, ainda que as variações regionais sigam sendo significativas. O Uro Moderno funciona também como idioma oficial adaptado e vem sendo utilizado na administração pública e em um número menor de rádios. O canal público TVRU 2, um dos principais do país, tem sua programação exclusivamente feita em Uro Moderno. Movimentos nacionalistas e nativistas defendem a ideia de que este idioma deveria ser utilizado como o comum para o país.  Além do Português, do Uro Moderno e dos Dialetos Uros, o Espanhol é razoavelmente difundido na Ilha, especialmente na província de Buen Viaje, onde é idioma oficial. Outros idiomas como o inglês, o chinês, o japonês e o árabe tem bastante difusão na ilha por terem sido trazidos por imigrantes.

HistóriaEditar

Uro Pré-Expansão (Até 1000 a.c. - 50)Editar

1000 a.c. – Polinésios chegam as atuais Ilhas Opeopea  (Rapa Uro, Penhranda, Roca, Kaao Aina e Ferren) no processo conhecido como “Expansão Austronésia 800 a.c. – 400 a.c. – Populações passam a migrar cada vez mais rumo ao interior de Rapa Uro 520 a.c. – Registros arqueológicos dão conta de formas de centralização política nas regiões das atuais Esmeraldina, Mapopo e Benta Kalela. 450 a.c. – Populações vindas de Kaao Aina ocupam a porção leste da ilha de Rapa Uro 400 a.c. – 200 a.c. – Populações de Rapa Uro passam por uma explosão demográfica que aumenta o número de unidades políticas centralizadas e espaços urbanizados na ilha. Um processo parecido acontece em Kaao Aina. Ainda assim, boa parte dos povos são nômades e vivem de agricultura de subsistência. 50 a.c. – Aparecem na ilha Cidades Estado na porção interior da ilha como Nui Menara, Anar’iko (Anarico), Hikina, Witike e Witiki’inas

A Primeira Expansão (150-940)Editar

150 – Começam a se estabelecer relações comerciais entre cidades litorâneas de Rapa Uro e povos de outras Ilhas Opeopea. Mapopo, Benta Kalela, Omanasar, Wahakali e Akau Aula são os maiores destaques. 230 – Após uma explosão demográfica no leste de Kaao Aina, povos nômades saqueiam Mapopo e vilarejos do interior oeste de Rapa Uro. Algum tempo depois saqueiam também Nui Menara. Estes povos dispersam-se entre as populações do ocidente rapaurenho. Trazendo inovações culturais e militares. 350 – Semelhante processo acontece na porção sul-oriental da ilha. Dessa vez tratam-se de invasores vindos de Penharanda, que saqueiam a região das atuais Termas Reais.  420 –  Povos da atual região da Esmeraldina começam a abandonar o nomadismo.  490 -  Povos da região de Hikina invadem Penharanda. Pela primeira vez, alguma etnia de Rapa Uro ataca ilhas vizinhas 530 – Processo de hierarquização política no Oriente de Rapa Uro 587 – Registros de escrita pictográfica em Anarico. A prática de espalha pela ilha. 602 – Registros de escrita pictográfica em Mapopo 633 – Intensificação do comércio fluvial pelo Rio Visde interliga o noroeste da ilha com o extremo oriente. 688 –  Começa uma produção de objetos em ouro, prata e bronze na atual região de Nui Menara Central 720 – Registros de escrita Witike, Witiki’inas, Benta Kalela e Nui Menara. 722 – Guerra entre os povos de Witike e Witiki’inas pelo controle do “Encontro dos Rios”. O conflito é muito equilibrado e gera grandes perdas para ambos os lados. 740 – Witiki’inas vence Witike, controla o “Encotnro dos Rios”, passando também a tributar a localidade vizinha.  800 – O sistema de tributação se espalha por toda a Ilha. Cidades maiores tributam vilarejos vizinhos e começam um acúmulo maior de recursos. 848 -  Criação de uma espécie de “exército regular” em Nui Menara é um marco. A prática se espalhará por diversas regiões da ilha. 859 – Guerra Civil se inicia em Benta Kalela devido a uma crise sucessória. O conflito envolve vilarejos vizinhos e até mesmo homens de algumas localidades mais populosas como Lio Lapoa. 861 – Fim do confronto interno em Benta Kalela.  907 – Hikinos migram para o interior visando obter melhores terras e estabelecem-se na localidade de Pohaku Kahua, atual região de Termas Reais. 922 – Registro pictográfico mais antigo se referindo a “Rapa Uro” como uma ilha por inteiro, em Mapopo.

As Guerras de Expansão (940-1413)Editar

941 – Os navagantes de Mapopo conseguem atingir Penharanda, Ferren e Roca via mar. Anteriormente, chegavam apenas a Kaao Aina, devido a proximidade. São hábeis comerciantes em todos os portos de Rapa Uro.  950 – Intensificação do comércio fluvial. Mesmo sem estar no litoral, o “Encontro dos Rios” que divide geograficamente Witike e Witiki’inas se torna um dos maiores portos da ilha.   973 - Com a população crescendo e visando lucros no comércio marítimo, exército de Nui Menara ataca e conquista o porto de Mapopo. Tem início da centralização do que seria o Reino de Nui Menara. Início de um longo período de guerras e expansões que se instala por toda a ilha.  1000 – Grande crescimento de cidades em toda Rapa Uro. As maiores em população são Mapopo, Nui Menara, Witiki’inas, Witike, Anarico e Benta Kalela. 1022 - Exército de Nui Menara continua sua expansão para a porção sul da ilha, nas regiões que hoje seriam as localidades de Pusi Gao, Diamantes e Balneário dos Diamantes. 1027 - Em processo semelhante à Nui Menara, Anarico busca expandir-se para o oeste e investe contra Maisara’at. Começa a centralização do que seria o futuro Reino de Anarico. 1052 – Exército de Nui Menara conquista vilarejos e campos da porção central do que hoje é a província de Nui Menara. Tratam-se das regiões das atuais Milino e Itatou Lava. 1075 – Benta Kalela começa expansão e centralização, conquistando Baculi à leste. 1087 – Hikinos de Pohaku Kahua conquistam vilarejos ao norte em seu próprio processo de expansão.  1122 – Já colhendo benefícios do comércio marítimo com os povos da ilha de Ferren, Anarico inicia uma expansão para o sul visando conquistar um porto de onde se pratique o comércio com os povos que habitam a ilha de Penharanda. 1224 – Exército de Nui Menara investe sem sucesso contra Benta Kalela, é a primeira derrota da expansão. 1225 – Os governantes de Omaomana passam a cobrar tributos de uma porção de vilarejos pequenos do noroeste da ilha.  1231 – Nui Menara derrota a cidade de Manusama e passa a cobrar tributos da mesma. 1232 – Temendo uma expansão para o norte do já establecido Reino de Nui Menara, chefes de Witike e Witiki’inas unem suas famílias e constituem uma nova instituição política centralizada.  1245 – Nova campanha de Nui Menara contra Benta Kalela fracassa. A cidade litorânea do sul se torna a grande ambição dos menaras.  1250 – Depois de uma guerra de longa duração, Anarico conquista o porto de Lua Nagadu (atual Covas do Sul) e torna-se a primeira formação política centralizada de Rapa Uro a ter portos comerciando com Ilhas Opeopea tanto pelo norte como pelo sul. 1272 – Com tecnologias trazidas de Penharanda, Benta Kalela está reforçada militarmente e inicia uma campanha contra Nui Menara. Neste mesmo ano, conquista a região de Lio Lapoa.  1276 – A cidade litorânea sul-oriental de Wahakali passa a cobrar tributos das cidades vizinhas e de vilarejos do interior.Hikinos de Pohaku Kahua se recusa a ceder. Inicia-se uma guerra pelo controle da porção sudeste da ilha. 1290 – Uma etnia do centro-norte da ilha conhecida como Tutuks, à qual pertencem vários vilarejos , resiste a periódicos ataques do Reino de Anarico e impede sua maior expansão 1293 – Benta Kalela impõe séria derrota a Nui Menara após conquistar Manusama. 1301 – Após resistirem a vários ataques de Anarico, Tutuks resistem também a uma investida de Omaomana e iniciam um contra-ataque para o oeste. 1303 – Tutuks chegam à região na qual hoje está a cidade de Findos Montes e completam uma expansão para o oeste. Está centralizado o que no futuro seria o Reino de Matu Luko (depois Reino de Bom Jesus).  1305 – Após mais de cem anos de uma guerra cheia de descontinuidades, Pohaku Kahua saqueia e destrói a cidade de Wahakali, forçando sua rendição. Está estabelecida a centralização do reino de Hikina Kahua. 1320 – Rapa Uro tem sete grandes reinos estabelecidos: Nui Menara, Benta Kalela, Witike e Witiki’inas, Omaomana, Matu Luko, Anarico e Hikina Kahua. As fronteiras são razoavelmente semelhantes à divisão política atual de Rapa Uro. As identidades regionais do país são até hoje construídas em uma configuração que surge a partir deste processo. 1334 – Nui Menara guerreia contra Benta Kalela e reconquista Manusama. 1337 – Nui Menara guerreia contra Benta Kalela e conquista Lio Lapoa. 1345 – Anarico conquista vilarejos do centro de Rapa Uro e torna-se, naquele momento, o maior reino da ilha em território. 1348 – Nui Menara se expande para leste e acorda uma fronteira com Anarico. Não é do interesse de nenhum dos dois lados avançar para ocidente ou oriente. 1360 – Witike e Witiki’inas ataca e conquista o Reino de Omaomana. A nobreza daquele local cria uma relação de dependência com a de Witike e Witiki’inas 1377 – Anarico deseja conquistar o porto de Wakahali e inicia guerra contra Hikina Kahua. 1383 – Visando o Encontro dos Rios e a saída norte para o mar, Nui Menara inicia guerra contra Witike e Witiki’inas. 1386 – Nui Menara conquista Witiki’inas, mas Witike e a região de Omaomana seguem resistindo. 1388 – Anarico é derrotada por Hikina Kahua e não consegue expandir-se para sudoeste. 1392 – Comandado pelo Rei Kahikookeakua Ar’iko Hokumele, Nui Menara conquista Witike.  1393 – Chefes militares de Omaomana juram lealdade à Kahikookeakua Ar’iko Hokumele. Nui Menara conquista a saída para o norte.   1398 –Pressionados por Anarico e temerosos da expansão de Nui Menara, os tutuks de Matu Luko juram lealdade à Kahikookeakua Ar’iko Hokumele e passam a pagar-lhe tributos.  1402 – Kahikookeakua Ar’iko Hokumele avança sobre o maior inimigo de Nui Menara, o Reino de Benta Kalela. 1407 – Nui Menara conquista Baculi. 1410-13 – Comandado por Kahikookeakua Ar’iko Hokumele, exército de Nui Menara monta um cerco sobre a cidade de Benta Kalela. A cidade resiste por três anos, mas acaba saqueada pelos menaras. Sua população sofre um verdadeiro massacre. Hokumele se proclama “ Uro Kahaku Onahaku” (O Senhor dos Senhores Uros).  1413 – Restam na ilha de Rapa Uro quatro reinos. Nui Menara é o maior em território e ocupa toda a porção ocidental da ilha.  Matu Luko ocupa uma faixa do norte e é semi-independente, pois paga tributos aos menaras. Anarico também é grande e ocupa uma grande faixa no centro e quase toda porção oriental da ilha. Hikina Kahua é menor, mas se mantém firme e ocupa a porção sul-oriental. A expansão menara, que faz com que Kahikookeakua Ar’iko Hokumele se proclame “O Senhor dos Senhores de Rapa Uro” é considera a primeira centralização política que visava a ilha como um todo. Após mais de 400 anos em guerras contínuas, os reinos da ilha encontram alguma estabilidade territorial. 

Ma Ahea (1413-1523)Editar

1413-1531 - Neste período não são registrados grandes conflitos na ilha de Rapa Uro. Os reinos de Anarico e Nui Menara se burocratizam, ficam mais centralizados e fortalecem suas instituições políticas criando estruturas como exércitos semi-regulares. Também verifica-se um crescimento das cidades maiores. Kahikookeakua Ar’iko Hokumele falece em 1427 gozando de uma reputação boa entre boa parte da população do ocidente rapaurenho. O reino de Matu Luko segue como tributário de Nui Menara e em menor escala de Anarico. Hikina Kahua tem características mais rurais e guerreiras, mas mantém-se independente do vizinho Anarico. 1450 - Integrantes da etnia Totor chegam de Kaao Aina e começam a controlar o comércio do porto Wakahali (Hikina Kahua). Sua influência se espalha pelos principais portos da ilha de Rapa Uro. Trata-se de um povo semi-nômade ligado à navegações.São os ancestrais da atual etnia “Uro Totor”. Em Kaoo Aina são conhecidos apenas como “Totor” e em Penharanda como “Pena Totor”.

Colonização (1523-1640)Editar

1523 - Expedição de Cristovão de Mendonça, partida de Malaca, chega à Kaao Aina e depois ao porto de Mapopo. 1525 - Portugueses passam a comerciar com frequência em Mapopo, Benta Kalela, Osmanasar e Pusi Gao

1525 - Chegam à Rapa Uro as primeiras missões católicas. 1527 - Portugueses avançam seu comércio para os portos de Wahakali, Anarico, Mauga e Maisara’at

1529 - Portugueses começam a planejar uma possível colonização das Ilhas Opeopea

1531 - Visando obter o monopólio do comércio nas Opeopeas e tributar os portos, portugueses atacam e conquistam Mapopo e Wakahali.

1532 - Portugueses vencem a guerra contra Hikina Kahua

1534 - Após avançar sobre o reino e conquistar Pusi Gao e o centro, portugueses montam o cerco sobre Nui Menara. Os menaras resistem bravamente, mas caem no dia 19 de setembro.

1534 - Benta Kalela declara independência e recusa rendição aos portugueses.

1536 - Após dois anos de resistência, Benta Kalela é conquistada por Portugal

1538 - Portugueses tomam Maisara’at e começam a preparar o avanço sobre Anarico.

1540 - Portugueses conquistam a cidade, e consequentemente, o Reino de Anarico.

1540 - Matu Luko se rende aos portugueses sem maior resistência.

1540 - Portugal completa um processo de conquista da ilha de Rapa Uro. Outras Opeopeas como Penar (rebatizada de Penharanda), Kaao Aina e Ferren também estão sob domínio português.

1542 - Portugal divide Rapa Uro em três vice-reinados, Nui Menara, Anarico e Termas Reais (antiga Hikina Kahua)

1550 - Começa a imigração de portugueses para a ilha de Rapa Uro

1560 - A principal atividade econômica portuguesa na região é o comércio de especiarias e o controle do comércio entre as Opeopeas. No entanto, há em menor escala extração de ouro (Nui Menara e Anarico), criação de gado (Nui Menara), e produção de açúcar (Hikina Kahua). Quanto à colonização, a estratégia portuguesa é se aliar e misturar com algumas elites locais. 1572 - Tentativa de conspiração é suprimida na cidade de Nui Menara. 

1580 - A escravidão em Rapa Uro ou nas Opeopeas não é permitida, ainda que existam formas de trabalho análogas à ela.

1580 - Tem início a União Ibérica, e dessa maneira os espanhóis passam a exercer uma grande influência na ilha. 

1590 - O catolicismo avança muito em Rapa Uro. Conversões são feitas em massa. Boa parte das elites se cristianizou e popularmente a religião se funde com crenças locais. 

1607 - Espanhóis passam a ocupar uma área pouco povoada e colonizada pelos portugueses, o sul de Anarico. Ali desenvolvem o porto de Lua Nagado (atual Covas do Sul).

1620 - Chegam à Rapa Uro, em número muito menor que nas Américas, uma quantidade de escravizados africanos. Estima-se esse número em algo em torno de 120 mil. Acabaram por fundir-se periodicamente com as populações locais. Em número muito maior, escravizados africanos chegaram à Penharanda e Roca (onde passaram a formar a maioria da população).

1630 - Começa uma imigração de espanhóis para Rapa Uro

1633 - No mês de abril, tentativa de derrubada dos governantes europeus fracassa em Termas Reais após três semanas de sangrentos combates.

A colônia fragmentada (1640-1685)Editar

1640 - Fim da União Ibérica. O episódio é um marco na história da Rapa Uro e irrompe uma série de revoltas e reconquistas que se inserem na conjuntura global de potências europeias pelo controle de colônias ultramarinas. Os agentes envolvidos na disputa por territórios na ilha são portugueses, espanhóis, holandeses e em menor medida, ingleses.

1648 - Enquanto portugueses e espanhóis disputam o controle de Hikina Kahua, uma terceira via começa uma campanha para tornar-se autônoma das administrações europeias. O vice-reino mergulha em uma sangrenta guerra civil. 

1651 - Espanhóis, que controlam o sul de Anarico tentam avançar sobre a capital, sob controle português e não obtém sucesso.

1654 - Após seis anos de intensos conflitos, Hikina Kahua reconquista a independência de seu reino em relação aos europeus.

1658 - Benta Kalela se subleva e reconquista autonomia que dura quatro anos. O novo reino chegou a até Lio Lapoa. 

1662 - Holandeses continuam seu avanço sobre o oriente do globo e atacam e conquistam o porto de Osmanasar. 1664 - Holandaeses atacam e conquistam o porto de Omaomana. 

1664 - Estabelecida a “Uro Holandesa” sob domínio desta nova potência europeia. A região se parece geograficamente com a atual Esmeraldina. 

1665 - Portugueses e espanhóis seguem guerreando pelo controle de Anarico e Nui Menara. Grupos minoritários lutam pela autonomia completa em relação às potências europeias. 

1668 - Tratado de Lisboa interrompe as hostilidades entre portugueses e espanhóis pelo globo. Em Rapa Uro, fica definido que Nui Menara continuará pertencendo ao Império Português. O antigo vice-reino de Anarico se divide em dois, a porção norte (onde se localiza a cidade de Anarico) está sob controle português e e as porções oeste e sul (onde está o porto de Cuevas del Sur) fica sob o controle espanhol. A região ganha o nome de Vice-Reino de Buen Viaje (Virreinato del Buen Viaje).

1672 - Holandeses conquistam as regiões de Mauga e Matu Luko.

1673 - Portugueses iniciam a campanha para reconquistar o Reino de Hikina Kahua, com forte apoio dos ingleses, que desejavam uma maior abertura deste porto para suas frotas pudessem estabelecer um ponto de comércio com as Opeopeas. 

1675 - Wakahali e depois Termas Reais caem e voltam ao domínio português. 

1678 - Com forte apoio de nobres e população local, portugueses iniciam uma guerra contra os holandeses pela reconquista da região da Esmeraldina, Mauga e Matu Luko. 

1685 - Conflito se encerra com vitória portuguesa. Portugueses passam a retomar o controle de quase toda a Rapa Uro. 

1685 - Após os conflitos, Rapa Uro está dividida em três vice-reinados dominados por europeus. O de Nui Menara pertence à Portugal e está dividido em oito províncias: Mapopo, Nui Menara, Lio Lapoa, Benta Kalela, Witiki'inas, Esmeraldina, Anarico e Bom Jesus (antiga Matu Luko).O de Termas Reais (antiga Hikina Kahua) está divido em duas: Termas Reais e Wakahali (esta última com os ingleses tendo direito a comerciar no porto). O de Buen Viaje pertence aos espanhóis e está dividido em duas províncias: Covas do Sul e Quedas Tesourinas. A ilha perdeu população nativa em relação ao início do século anterior devido às constantes guerras que se desdobraram pelas disputas coloniais no território, nas quais se envolveram a nobreza rapaurenha e os exércitos então estabelecidos. Por outro lado, ganhou em população de origem europeia, ainda que esta corresponda numericamente a apenas 2% da população total. O fim destes conflitos marca também o avanço do controle europeu sobre Rapa Uro, que a princípio era não tão direto, com as elites locais cumprindo um papel administrativo muito relevante. O português se tornou a língua franca da ilha, era falada até mesmo nas áreas de domínio espanhol, ainda que o idioma castelhano fosse também do conhecimento de muitos. O catolicismo se estabeleceu firmemente por toda a ilha, mesmo que muito influenciado por crenças locais. 

Pré-independência (1685-1792)Editar

1697 - Revolta dos Totores no porto de WakahaliEditar

O levante começou quando foram anunciadas medidas de restrição e taxação a circulação de embarcações não vinculadas diretamente às Coroa Portuguesa e Inglesa. Históricamente os totores tiveram extrema influência no comércio entre os porto de Rapa Uro e de outras Opeopeas, e tinham em Wakahali uma de suas maiores comunidades. Rapidamente, a sublevação se espalhou para outros setores da sociedade, principalmente aqueles ligados ao comércio marítimo. Ingleses e portugueses, tendo setores da elite como fortes aliados, suprimiram os atos de violência que duraram aproximadamente três semanas. 

1712 - Revolta dos Kalepas em Benta KalelaEditar

Os kalepas eram navegantes que trabalhavam com a troca de especiarias entre o interior de Rapa Uro e outras Opeopeas. Tinham em Benta Kalela sua principal base de operações. Quando a Coroa Portuguesa aumentou em 15% a taxação sobre especiarias de embarcações que pertencessem a famílias sem origem portuguesa, os kalepas sublevaram-se violentamente contra o governo local, causando fortes danos às docas. Chegaram a arrasar duas prisões, e o motim se espalhou em menor grau para Mapopo e Pusi Gao, outros importantes portos da região. Após treze dias de hostilidades, o Exército voltou a controlar a situação.

1723 - Revolta dos Nuiele’eleEditar

Rapa Uro recebeu uma quantidade modesta de escravos africanos em relação à outras colônias portuguesas como o Brasil. Mas a maioria deles se instalou em Hikina Kahua, onde passaram a trabalhar essencialmente em plantations de açúcar. Os africanos misturaram-se aos nativos locais, e eram chamados de Nuiele’ele (Os Grandes Negros). Vinha se intensificando no Vice-Reinado de Termas Reais as práticas da fuga de escravos, que passavam a pilhar as rotas de comércio locais, e depois estabelecimentos em grandes cidades como Termas Reais. Estas práticas tinham a adesão de nativos uros, que de um modo geral, trabalhavam em regime semi-escravo. Tentando desarticular estas redes, o Vice-Rei iniciou perseguições violentas, que incluiram execuções e torturas de escravos e nativos que seguiam trabalhando para obter informações. A sublevação partiu de nuiele’eles que viviam em Termas Reais e permaneciam em seus postos de trabalho forçado. Começaram a haver ataques contra autoridades locais, e quando a revolta se espalhou ganhou a adesão de vários setores da população. Termas Reais acabou parcialmente incendidada e a repressão foi ultra-violenta. Plantaram-se as bases para o que seria a “Conjuração Hikina”

1725-27 - Conjuração Hikina ou Guerra dos U’uku LatiEditar

Foi o episódio nativista de maior duração do período pré-independência de Rapa Uro. O Vice-Reino de Termas Reais já havia assistido recentemente às Revoltas dos Totores e dos Nuiele’ele. A Conjuração Hikina tem suas bases em 1725, quando aumentou a taxação para circular pela estrada que levava Termas Reais ao porto de Wakahali. Somado a isso, portugueses chegavam em quantidade razoável ao vice-reinado, tinham vantagens legais e concorriam comercialmente. Aumentou a tensão em todo reinado. A Conjuração partiu de um setor da elite mestiça do Vice-Reinado que se sentia prejudicada com esta conjuntura. As pautas eram a diminuição dos impostos, abertura das estradas e fim de monopólios de comércio. O objetivo era depor o Vice-Rei. Inicialmente baixa, a Conjuração ganhou adesão popular e iniciou uma pequena guerra no Vice-Reinado. Portugal teve que mobilizar tropas da Europa para conter os revoltosos, em um episódio que aumentou a repressão do Império contra esta parte da Colônia. As hostilidades cessaram definitivamente apenas dois anos mais tarde, e tiveram repercussão por vários pontos do vice-reino. Aumentou um sentimento “anti-português” em Termas Reais.

1742 - Revolta dos KahunaEditar

Desde o século XVI o catolicismo se espalhou por toda a ilha de Rapa Uro até se tornar a religião mais praticada em todas as regiões. Mas este catolicismo tinha características muito diferentes do português, pois misturou-se fortemente com as crenças locais de tempos remotos. Principalmente entre os setores mais populares, os antigos deuses foram transformados em santos e seguiam sendo cultuados. Os kahuna eram como sacerdotes que tinham contato com os deuses, e quando houve a cristianização da ilha transformaram seu papel, também adotando a religião católica e mantendo seu status de chefes religiosos locais. De certa forma, perpetravam as antigas tradições e carcterizavam o hibridismo do cristianismo em Rapa Uro. No início do Século XVIII, havia aumentado a influência da Inquisição na Ilha, após duas visitas do Santo Ofício em Rapa Uro no século anterior que constaram “graves distorções” na religião local. Em 1742, o Vice-Rei de Nui Menara decidiu fechar arbitrariamente diversas igrejas consideradas “pagãs” nos bairros mais pobres da capital. A consequência foi uma grande revolta popular que se espalhou pelas cidades vizinhas e durou cinco semanas. Forças foram mobilizadas de Anarico, Mapopo e Benta Kalela para conter os revoltosos. Muitos kahuna foram executados na ocasião. 

1755-58 - Guerra dos Ha’aheoEditar

Este evento não foi propriamente uma guerra, mas um fenômeno de contínuas revoltas que explodiram por diversas localidades do Vice-Reino de Nui Menara durante quase quatro anos. As primeiras delas começaram quase simultâneamente no porto de Mapopo e na cidade de Nui Menara. Já fazia tempo que Portugal havia endurecido seu controle sobre as colônias de todo o globo, e a elite mestiça de Rapa Uro sentia que perdia seus privilégios. Esta política se intensificou com o início do Período Pombalino. A burocracia aos poucos ficava “mais portuguesa”, os impostos aumentavam, monopólios se formavam, havia proibição de diversas atividades econômicas. Os homens que ficaram conhecidos como Ha’aheo (Orgulhosos) eram mestiços das elites, muitos deles juristas, que se sublevaram contra o novo Vice-Rei de Nui Menara, quando este em 1755 anunciou a contratação de mais coletores de impostos, geralmente de origem portuguesa e maior taxação sobre as exportações para outras Opeopeas. Além das cidades já citadas, Lio Lapoa, Benta Kalela, Anarico, Witiki’inas e Pusi Gao registraram motins. Este motins que objetivavam a revogação das novas medidas e abdicação do Vice-Rei não obtiveram sucesso e acabaram com a prisão e execução de vários indivíduos. Mas serviu para colocar em contato os Ha’aheo, que passaram a ser uma espécie de maçonaria rapaurenha e estariam envolvidos tanto nas revoltas posteriores quanto na Guerra de Independência. Alguns historidadores colocam estes episódios como o início de um sentimento identificável de nacionalismo rapaurenho. 

1763 - Revolta do Encontro dos RiosEditar

No contexto de Reformas Pombalinas em Rapa Uro, a Coroa Portuguesa decidiu aumentar o controle sobre o comércio interno na ilha, passando a aumentar a taxação sobre embarcações que navegavam pelos rios Tamali, Lor e Visde. Este era uma das maiores fontes de renda da Província de Witikin’ias, uma vez que os três rios se encontravam naquela localidade. Uma rebelião de 18 dias implodiu na cidade e pedia a revogação dessas medidas e a renúncia do governador da província. O aumento do imposto foi reduzido de 12% para 8%, ainda assim, líderes foram presos e executados, e ação das autoridades foi muito violenta.

1775- Revolta de José BeneditesEditar

Integrante da elite mestiça da cidade de Nui Menara, José Benedites era um dos Ha’aheo e tinha negócios na indústria têxtil da região. Ainda que legalmente proibida por lei, muitas vezes ao longo da história de Rapa Uro colonial, autoridades fizeram vistas grossas para a existência de fábricas, sobretudo aquelas cuja produção era voltada para o mercado interno. No entanto, com as Reformas Pombalinas houve uma tentativa da Coroa Portuguesa de fechar ou aumentar o controle sobre estes locais. O governo da província de Nui Menara passou à ação direta em 1775, e Benedites juntou um número razoável de integrantes da elite da província para resistir as medidas. Rapidamente, o episódio começou a se parecer com mais um caso de repressão da Coroa Portuguesa e ganhou alguma adesão popular, devido ao número razoável de trabalhadores envolvidos nesta atividade econômica. Benedites acabou preso, e cinco homens foram publicamente executados. 

1784 - Conspiração de AnaricoEditar

O aumento do controle do Império Português sobre os dois vice-reinados de Rapa Uro já estava causando muitos problemas para a Coroa não só na ilha do pacífico como em suas outras colônias. Especificamente em Anarico não tinham acontecidos grandes ocorrências, exceto alguns episódios menores da Guerra dos Ha’aheo. No entanto, a partir de 1775 as autoridades da Província passaram a investir contra atividades econômicas consideradas ilegais e a elite mestiça da região ficou praticamente alienada da burocracia e do poder. São destes setores que saem os Conspiradores de Anarico, infleunciados pelo iluminismo e pelos Ha’aheo. Organizou-se um grande motim com o objetivo de dar autonomia definitiva à Província de Anarico e reestabelecer o antigo Reino de Anarico. Alguns integrantes originais denunciaram a tentativa de golpe não a tempo de impedí-la, mas a tempo de que as autoridades preparassem uma defesa. Quando saíram às ruas apoiados por alguns setores da população, as tropas já estavam posicionadas e ainda que alguns pontos tenham sido tomados o motim passou longe do resultado desejado e estava controlado após 5 dias. O episódio no entanto serviu para reanimar o sentimento anti-português na região.

1788/89 - Revoltas de Covas do SulEditar

O Vice-Reino de Buen Viaje pertencia à Espanha e vinha sendo caracterizado pelo crescimento da extração de minérios e pedras preciosas, além do comércio no Porto de Covas do Sul. A situação na região parecia mais sob controle para os colonizadores do que no resto da ilha, mas as Reformas Bourbônicas começaram a surtir efeito na região. O aumento do imposto para seguir na estrada que levava Quedas Tesourinas até Covas do Sul foi o motivo para fazer uma revolta que demandou contra uma série de medidas adotadas pela coroa espanhola nos últimos anos, tal como “quintos”, “derrama” e impedimento de determinadas atividades econômica. Por dois anos, Covas do Sul foi palco de seguidas revoltas contra o governo, sobretudo no dia do recolhimento de impostos. Os motins também se espalharam para localidades menores do interior de Buen Viaje. O evento marcou o início da influência dos Ha’aheo em Buen Viaje, e acabou com prisões e execuções públicas. Historiadores as apontam como decisivas para a posterior apoio da elite de Buen Viaje ao lado separatista na Guerra de Independência. 

Guerras de Independência (1792-1804)Editar

1792-97 - Guerra de Independência de Hikina Kahua. Editar

O conflito começou em março de 1792 quando acirraram-se discussões nas Juntas Municipais de diversas localidades de Hikina Kahua acerca da prática de cobranças de impostos sobre a terra, endurecidas pelo então Governador da Província. Por sua parte, os populares reclamavam dos trabalhos forçados no sistema agrícola, prática também combatida por setores mais liberais de proprietários e burgueses. A alienação das elites locais da burocracia cumpriu um papel fundamental na mobilização destes setores contra os portugueses. Quando o Vice-Rei recusou aceitar determinações acerca da flexibilização de impostos tomadas pela Junta Municipal de Termas Reais, algumas elites mobilizaram suas milícias em um discurso influenciado pelo Iluminismo que bradava pela República e pela autonomia em relação à Coroa Portuguesa iniciando os primeiros combates na capital, que no entanto acabaram com vitória da coroa. O  conflito se acirrou nas regiões de Assaraí e Queirozópolis, onde camponeses se sublevaram contra a prática dos trabalhos forçados em algumas fazendas de posse portuguesa, em um episódio que inicialmente não era separatista. Com a rebelião violentamente reprimida, setores das elites independentistas locais viram ali uma oportunidade para avançar o combate à Metrópole e juntaram-se aos revoltosos. Foram vitoriosos em batalhas que acabaram com saques e depredações à estas propriedades, tomadas das Juntas Municipais das respectivas localidades e distribuição de terras entre alguns camponeses. À medida que a Coroa Portuguesa buscou reprimir os embates, mais setores burgueses e das elites locais ou mestiças aderiram à rebelião, que rapidamente se espalhou para as principais localidades, Termas Reais, Missões e Wakahali. Cabe dizer que vários setores da elite uro defenderam o lado dos portugueses, sobretudo os das elites rurais, por temer pelas suas propriedades. Mas os liberais iluministas bradavam gritos de “Fora Portugueses, liberdade aos Hikinos!” e acabaram ganhando o lado as camadas mais populares. Após tomarem a porção nordeste da Província, a ideia dos revoltosos era avançar para Termas Reais, mas por quase dois anos as tropas portuguesas e rebeldes quase não avançaram, trocando eventualmente de comando de uma cidade ou outra localizada na zona central do Vice Reino.  Decisiva para os revoltosos foi a tomada de Missões em janeiro de 1794, quando juízes e autoridades portuguesas ou pró-portuguesas foram executadas em praça pública após meses de combate. No entanto, tomar Termas Reais parecia improvável até pelo menos o segundo semestre daquele ano, quando os totores entram em cena de maneira decisiva no conflito. Com a promessa de redução de impostos e livre comércio em Wakahali, os totores, que inicialmente tenderam para o lado português passaram ao lado dos rebeldes. Foram essenciais ao comerciar armas de fogo no mercado negro, o que obtinham em portos como Mapopo ou em Kaao Aina. Este contato inclusive teria influenciado os revoltosos de Mapopo a lutarem pela independência em um segundo momento. Os ingleses, que tinham autorização para comerciar em Wakahali viram nas inspirações liberais do movimento uma chance de expandir seu comércio e pouco fizeram em favor de seus aliados portugueses. Com o abastecimento de alimentos da cidade prejudicado, o povo de Wakahali se inflamou contra a Coroa, e em janeiro daquele ano a cidade portuária estava tomada. Naquele ano foi constituído o Governo dos Hikinos Livres, cujo sistema era uma república fortemente inspirada na Revolução Americana. No entanto, setores da elite uro seguiam aliados aos portugueses, tornando a tomada final de Termas Reais muito complicada. Os rebeldes conquistaram em junho a porção norte da cidade, em setembro Pedra de Termas e em novembro invadiram o Palácio do Vice-Rei, o executaram e declararam a Revolução Instaurada. Estava constituída naquele momento a República de Hikina Kahua, mas os problemas não paravam por aí. O governo rebelde teve de se sustentar contra três inimigos, os setores pró-separatistas mais ligados ao nordeste de economia açucareira que acharam o caráter da revolução excessivamente liberal, os setores da elite uro que apoiavam os portugueses e seguiam batalhando sobretudo no centro da nova república e por fim as próprias tropas portuguesas que atacaram sobretudo o porto de Wakahali e a parte sul de Termas Reais. A situação só foi controlada no início de 1797, quando garantiu-se às elites uros que as distribuições de terra não aconteceriam a não ser com propriedades pertencentes aos portugueses. Perdendo seu apoio local, com revoltas explodindo pelo restante de Rapa Uro, com os ingleses não mobilizando tropas e diversos problemas na metrópole os portugueses se viram impossibilitados de fazer esforço maior pela reconquista da região. Estava estabelecida a República de Hikina Kahua, primeiro Estado Moderno Independente da ilha. 

1797-1804 - Guerra de Independência de Nui Menara. Editar

Em Nui Menara, a conjuntura foi bastante diferente daquela de Hikina Kahua. Tratava-se de um território bem menos homogêneo e historicamente ligado do que a república recém constituída. Os processos se influenciaram à medida em que os hikinos demonstraram para os uros do restante da ilha que vencer os portugueses era possível e que tentar a autonomia não era uma mera abstração. No mais, podemos dividir a Guerra da Independência do Vice-Reino de Nui Menara em três diferentes frentes, que tinham todas motivações regionalmente específicas para sonhar com a autonomia frente aos portugueses. Ainda que estas lutas estivessem unidas por instituições como a Ordem dos Ha’aheo desde o princípio, nada garantia inicialmente a unidade territorial do Vice-Reino. Por isso, as regiões de Nui Menara, Mapopo e Benta Kalela; da Esmeraldina e de Bom Jesus; e de Anarico e Buen Viaje travaram três guerras que inicialmente pareciam conflitos diferentes. 

1797-1800 - A Frente Centro-Sul (Províncias de Nui Menara,Lio Lapoa e Benta Kalela) Editar

====Na Frente Centro-Sul as duas principais motivações da luta foram tanto a crescente hirerarquização social promovida pela Coroa entre portugueses e uros quanto as políticas cada vez mais controladoras de repressão à atividades econômicas como a indústria têxtil. Ambas as pautas eram comuns à antiga família real de descendentes de Kahikookeakua Ar’iko Hokumele. A família Hokumele continuou a cumprir um papel importante no período colonial, ecnonomica e socialmente. Em um primeiro momento, alguns historiadores afirmam que até se beneficiaram materialmente da chegada dos europeus à ilha e as posteriores modernizações econômicas que isso trouxe o que fazia com que houvesse um certo apoio entre as duas partes, importante para legitimar o próprio domínio sobre o território. Mas desde as reformas da metade do século, até mesmo os Hokumele se viram paulatinamente alienados do poder e prejudicados pela política de maior controle econômico da Metrópole. Normalmente, tinham estudos, as vezes até fora de Rapa Uro, e entraram em contato com o Iluminismo e também com a Ordem do Ha’aheo. Dois deles, Iona’ala Hokumele e Maka’Alohi Hokumele cumpriram papel fundamental no início das revoltas. Eles eram integrantes da Junta Municipal de Nui Menara e pleitearam ali mais importância para os uros e os mestiços na burocracia.Aliando-se à elites urbanas de Benta Kalela e Mapopo que pleiteavam a flexibilização do comércio marítimo, organizaram uma revolta em 1797 que visava inicialmente eliminar o sistema de trabalhos forçados em fazendas portuguesas e reduzir impostos para a indústria e para o porto. A conjuração foi denunciada antecipadamente, levando os irmãos Hokumele a prisão. Eles eram populares entre as camadas mais baixas do estrato social pela sua ligação com a antiga família real e o cristianismo hibrido local. Isso fez com que a população se revoltasse contra a medida tomada pelos governos locais, e os setores autonomistas das elites rapidamente souberam tomar partido da questão. A situação em Benta Kalela e Nui Menara começava a sair do controle e ao saber dos problemas a Coroa Portuguesa decidiu responder com uma ordem de execução para os irmãos Hokumele. A decisão foi tremendamente infeliz para a Metrópole que viu sua legimitidade de poder quase ruir nas zonas urbanas da região. Liderados por José Silveira Kalakona, um mestiço autonomista partidário dos Ha’Aheo, um grupo de 7 mil camponeses e trabalhadores nativos armados invadiu a Prisão de Kapua em Nui Menara e libertou os irmãos Hokumele. A ação causou a morte de mais de 2 mil pessoas e uma repressão violentíssima por parte das autoridades nos meses seguintes, mas a missão de Kalakona foi cumprida e os prisioneiros fugiram em direção à Lio Lapoa. Muitos consideram esse o episódio marco do início da Guerra de Independência de Rapa Uro. A repressão por parte dos governantes fez com que rapidamente os irmãos Hokumele, os Ha’aheo e os autonomistas se radicalizassem e passassem a acreditar que não havia futuro para o Vice-Reino de Nui Menara como colônia. As pautas também ficaram mais progressistas, usando os velhos símbolos do grande reino que existiu na ilha antes da chegada dos europeus, a imagem de Kahikookeakua Ar’iko Hokumele e o caráter popular de alguns políticos da família real, os revoltosos conseguiram apoio de muitos, no que se transformou em uma campanha anti-europeia que em seus momentos mais intensos atacava também aos mestiços e sobretudo as elites rurais. Nui Menara se viu novamente mergulhada na violência de um conflito cruento. Formava-se o Exército das Cinco Pedras (Elima Pohaku Pokoa), que lutava pela libertação não de todo Vice-Reino, mas das províncias de Nui Menara, Benta Kalela, Lio Lapoa, Witiki’inas e Mapopo, mais diretamente influenciadas com os acontecidos recentes. Usavam como estandarte uma cruz em “x” com as cores da antiga família real em uma bandeira de fundo laranja, ligada à religiosidade local. O próprio simbolismo dava conta ideologia de hibridismo cultural pregada pelo movimento. Com pouco a fazer no sentido de mobilizar tropas, a Coroa Portuguesa recorreu aos setores que lhe eram fiéis, fazendo com que o conflito se travasse essencialmente entre uros, autonomistas ou legalistas. Entre os legalistas, assim com em Hikina Kahua estavam os portugueses e seus descentes e a elite ligada à agricultura e mais influência em zonas rurais. A guerra foi longa e dura. Nas cidades a repressão era gigantesca e as denúncias de conjuração se multiplicavam. Os revoltosos se organizaram originalmente em Lio Lapoa e faziam saques, distribuíam os ganhos aos trabalhadores e desapropriavam terras de legalistas. Com algum apoio logístico inglês, os portugueses e seus aliados reagiam com seus aliados locais dispersando os revoltosos pelo interior da ilha. Era muito complicado tomar cidades litorâneas pelo seu grande dinamismo, então a cidade de Lio Lapoa tornou-se inicialmente o bastião da defesa autonomista. Avanços para o centro da província de Menara revelavam o crescimento da revolta, mas seria muito difícil controlar a ilha sem a conquista crucial de alguns portos. O primeiro porto importante conquistado pelos “Pohakus” (nome pelo qual eram conhecidos integrantes e apoiadores do Exército das Cinco Pedras) foi o de Pusi Gao já na metade de 1798. O movimento considerou que o sul de Menara estava sob seu controle e se sentiu confiante para a tomada da grande Benta Kalela, um dos cinco maiores portos do país. Reunindo 18 mil homens, os Pohakus sofreram sua primeira derrota contundente no início de 1799 e acabaram tendo que fugir dispersando-se em duas frentes, uma liderada por Iona’ala Hokumele, que se reabrigou em Lio Lapoa e outra liderada por Maka’Alohi Hokumele, que se dirigiu para defender Pusi Gao. Os avanços só voltaram a acontecer perto do fim daquele ano, quando os homens de Maka’Alohi deram uma contra-ofensiva rumo à oeste após resistirem bravamente a uma tentativa de retomada de Pusi Gao. A revolta se aproximou de Mapopo, segundo maior porto do país. Em março de 1800 foi feito um cerco à Mapopo que acabou com vitória dos revoltosos após quase três meses de batalha. No entanto, o conflito acabou com Maka’Alohi assassinado causando uma forte tensão aos revoltosos que estiveram prestes a se entregar. A situação só se inverteu quando 8 mil homens comandados por Iona’ala Hokumele conseguiram chegar à Mapopo. A conquista foi essencial para as pretensões dos revoltosos que naquele ano avançaram sobre Benta Kalela. Em superioridade numérica e com Portugal tendo cada vez mais dificuldades para conter o crescimento dos Pohakus, Kalela caiu após 5 dias. Iona’ala Hokumele foi recebido com fervor pela população local, e ganhou o título de “Ari’ko” (“O Grande), o mesmo de Kahikookeakua, o “Senhor dos Uros”. Mapopo e Lio Lapoa estão completamente conquistadas pelos Pohakus, assim como boa parte de Benta Kalela, incluindo a capital. Mas os objetivos não estão cumpridos. Faltava conquistar Witiki’inas e o encontro dos rios e a capital Nui Menara. Além disso, revoltas explodiram por toda a ilha. A colônia estava envolta no caos e novamente na guerra, mas a autonomia era a palavra de ordem. 


1799-1800 A Frente Norte (Províncias de Esmeraldina e Bom Jesus) ==== ====Diferente de outras regiões da ilha, Esmeraldina e Bom Jesus não eram palco de grandes revoltas nativistas no século XVIII. Menos habitadas, não eram prioridade dos portugueses economicamente. Os Ha’aheo cumpriam ali um papel secundário e por fim não se tinha tanta ligação com a família Hokumele, que colocava-se cada vez mais como uma espécie de “Família Real” de todo o oeste da ilha. No entanto, os efeitos do recente conflito de Portugal e dos legalistas contra os autonomistas Pohakus trouxe como consequência a criação da frente norte de batalhas. Ali também havia uma alienação das elites do poder, o que causava certo incômodo. A tensão aumentou após a prisão dos Hokumele e as políticas de repressão. De certa maneira, as famílias ricas nativas temiam ser mais afetadas caso combatessem contundentemente o crescimento dos impostos e as restrições econômicas. Mesmo assim, a tendência era o legalismo. Já a Esmeraldina, pouco povoada, parecia quase alheia às ações iniciais. Foi a própria explosão do conflito que fez o equilíbrio se romper nestas províncias. A estratégia dos portugueses também fracassou nesta parte da ilha. O domínio de Rapa Uro estava baseado em cooptação e assimilação das elites locais e miscigenação com setores estratégicos. Mas vendo a rebelião irromper no Centro-Sul, as Juntas Municipais foram instruídas a atribuir ainda mais cargos aos portugueses e a fiscalizarem contundentemente organizações e manifestações que pudessem ser encaradas como autonomistas. Quando os portugueses recrutaram forçadamente populares para combater os Pohakus ao sul e aumentaram os impostos em função da guerra que se iniciava as revoltas explodiram nas principais cidades da região. No entanto, faltavam a estes movimentos alguma organização e um par de líderes relevantes. Em Bom Jesus, Tutuk Lor, Esmeraldas e Nui Oma’ana as revoltas foram suprimidas. Só que esta situação, combinada com políticas que favoreciam apenas aos portugueses e no máximo aos mestiços, fez com que a insatisfação jogasse a elite nativa e o povo cada vez mais para o lado dos revoltosos Pohakus do sul e dos Ha’ahea, inicialmente pouco famosos na região. O movimento autonomista acumulou derrota atrás de derrota em Bom Jesus e perto do fim de 1800 seus principais líderes tinham sido executados ou presos e na melhor das hipóteses fugiram para as matas de Anarico. Na Esmeraldina, formou-se o Koa Akau Emerala (Exército das Esmeraldas do Norte) que declarou-se aliado dos Pohakus e passou a lutar pela autonomia da província. Em um primeiro momento obtiveram vitórias em Esmeraldas e Nui Oma’ana, mas perderam o controle das duas perto da metade de 1800. As tropas não eram grandes, somaram no seu pico talvez 6 mil homens, mas sua formação foi importante para inserir o norte na luta e fazer florescer o sentimento autonomista pela região. No fim de 1800, enquanto os Pohakus tomavam o sul e dois dos principais portos do país, os Emeralas fugiram para oeste e pediam aos próprios Pohakus socorro e apoio para as lutas. Seus líderes juraram fidelidade à Ionala Hokumele. Agora o Ar’iko era conclamado por uros de outras partes da ilha, que o reconheciam como o grande líder da autonomia. Assim como aconteceu nas outras frentes de batalha, as elites nativas e mestiças rurais eram seus maiores inimigos.


1798-1800 - A Frente Leste (Anarico e Buen Viaje) ==== ====No centro-leste da ilha o sentimento anti-português vinha aflorando desde a Conspiração de Anarico dez anos antes. À exemplo do que ocorria em Nui Menara, haviam descendentes da antiga família real que viviam em relativa tranquilidade com as autoridades portuguesas e ajudavam a legitimar a presença europeia na região. Mas os Ha’aheo ganhavam adeptos entre a elite da região, e a situação para o povo não era das melhores. As minas de pedras preciosas, importantes para a economia local, vinham se esgotando e a colheita da região de Modurama passava por problemas. A explosão das revoltas à oeste e a independência de Hikina Kahua apenas piorou o quadro já que os portugueses passaram a mobilizar potenciais aliados, recrutar tropas e aumentar impostos. Toda esta conjuntura fez com que as famílias da elite nativa, incluindo os descendentes da família real de Anarico, se descontentasse. Para estes setores a batalha iniciou nos canais legais. Demandavam a reabertura da rota que ligava a cidade de Anarico à Covas do Sul, sob domínio espanhol e pediam para que as autoridades viabilizassem isso. Além dessa questão, desejavam o fim dos aumentos dos impostos, da prioridade para portugueses na burocracia e a liberação de atividades econômicas que pudessem compensar as perdas com a redução da atividade mineira. Quando se viram boicotados nas juntas municipais e nas instâncias administrativas, planejaram uma conjuração aos moldes da de 1784. A revolta conseguiu a adesão de trabalhadores das camadas médias baixa e do povo também desgostoso com a administração no momento.  Ocorrida em setembro de 1798 acabou com vitória portuguesa, e alguns líderes se espalhando pelo interior da província, outros dispersando-se para além da fronteira com Buen Viaje e outros tantos presos e executados. A contra-ofensiva começou sob a liderança de Pedro Silveira Kamauhoa e o primeiro local conquistado estava para além da fronteira portuguesa, era a importante cidade de Quedas Tesourinas. Naquele momento, Kamuhoa viu que tinha legitimidade também entre a população nativa que estava na província espanhola. O objetivo central era chegar à cidade de Anarico. Depois de arrebatar Trevo Bonito, ao sul (ainda do lado espanhol da fronteira), Kamuhoa, acompanhado de um exército de 15 mil homens conquistou Matos Longos, Ulekan, Ulig Watu e Vila Filomena. Eram localidades pequenas, mas as principais da estrada que ligava Covas do Sul à Anarico e o cerco a capital começava a se montar. Recebendo algum apoio de homens que vinham de Baculi e em menor número de Hikina Kahua, Kamuhoa comandou o ataque à Anarico perto do fim de 1799 com 14 mil homens, que surpreendeu pela grandeza das tropas e pela composição do exército que de certa maneira representava todos os cantos da ilha. Após 6 dias de combates, os revoltosos tomaram a capital, levando administradores e portugueses mais ricos a fugirem às pressas para Maisara’at. Nos dez meses seguintes de “Anarico Livre” um congresso com participação popular limitada funcionou e ali se travaram intensos debates sobre a forma de governo a ser adotada, os próximos passos na Guerra e a relação com Hikina Kahua e as demais revoltas que explodiam na ilha. As principais metas eram conquistar Maisara’at e Covas do Sul, e estabelecer o governo autônomo. Mas isso não foi possível porque os espanhóis estavam dispostos a defender a porção sul de seu território ainda sob controle, porque a “Revolução” começava a sair de controle com os setores mais populares saqueando propriedades sem parar e porque Republicanos, Monarquistas e Moderados (que defendiam uma Monarquia com poderes limitados) discordavam sem parar da condução de cada um desses passos. Enxergando todos estes problemas os portugueses e as elites legalistas organizaram a contra-ofensiva à Anarico partindo de Maisara’at no fim de 1800. Apesar das divisões políticas e dos problemas econômicos, a resistência foi dura e a cidade caiu apenas 40 dias após o cerco. Pedro Silveira Kamuhoa foi assassinado, assim como membros importantes dos Ha’aheo e outros líderes da revolta. Nem tudo era bom para os portugueses. A população local resistiu, outros homens importantes conseguiram fugir da cidade, pequenas revoltas explodiram por todo o lado e boa parte do interior da província não estava sob o controle português. A “Anarico Livre” tinha acabado, mas deixado claro para os portugueses e legalistas que o povo e a maior parte da elite preferia uma aventura autonomista incerta do que continuar submissa à Coroa Portuguesa sob o status de colônia. Mas de outra maneira, o território não seria lucrativo à Portugal em constantes crises econômicas. A luta saía totalmente de controle, e ainda que não fosse previsível que Rapa Uro se tornaria um país único estava claro que o desejo de autonomia era forte em todos os cantos. A única saída para os portugueses e os legalistas era encarar a guerra de peito aberto, encarcerar ou executar os líderes e reconquistar algum respaldo popular. A missão era dura. Ao sul, os espanhóis observavam assustados e na defensiva todo o teatro de violência acontecer. Os rebeldes tinham chegado ao norte de seu território e tomado uma das principais cidades, mas o foco espanhol era Covas do Sul, onde era presumível que a população apoiasse os revoltosos. Preferiram apostar numa estabilidade frágil e não aumentar a repressão. À leste, a República de Hikina Kahua não tinha exatamente grandes condições de se envolver, uma vez que sangrava para manter-se como país independente. Mas apoiava os rebeldes, mais pelo viés autonomista das revoltas do que pelo que elas propunham politicamente . O final da “Anarico Livre” por tudo isso foi um marco no conflito, deixou claro que o sentimento português era comum à toda ilha, fez florescer fortemente uma identidade uro - naquele momento ainda não tão bem definida - e acima de tudo “nacionalizou” as operações e criou um inimigo em comum de nativos, mestiços e até mesmo alguns crioulos (brancos nascidos em Rapa Uro). 

1800 - Grito de Milino ====

Sabendo da morte de Pedro Silveira Kamuhoa no dia 29 de dezembro de 1800, Iona’ala Ar’iko Hokumele protagoniza outro grande episódio da luta de independência. Estava naquele momento na localidade de Milino, entre Mapopo e Nui Menara. Hokumele proferiu um discurso de teor fortemente anti-português e não mais autonomista, mas sim independentista falando sobre a bravura de Kamuhoa e a necesidade dos uros serem livres. Falava que a luta da “gente de Anarico” é a “luta nacional de todos os uros” e que os nativos de lá e de Menara eram “irmãos que nunca poderiam se abandonar”. Prometeu apoiar e comandar uma rebelião por “todo o território da ilha de Rapa Uro” ( o termo “Rapa Uro” não era até então  muito utilizado e Hokumele, naquela fala, dificilmente incluiu Hikina Kahua em sua “luta nacional”). Naquele momento começava a ser possível uma Rapa Uro unificada em um discurso que misturou construção de identidade, reforço de sentimento de pátria e também, nas entrelinhas, um forte de senso de imperialismo de Hokumele em relação à Anarico, onde inicialmente ninguém imaginava uma liderança Menara para a revolta. Seja como for, na situação ruim na qual os rebeldes se encontravam no centro-leste, as notícias do “Grito de Milino”, quando chegaram, foram bem recebidas. 

1801-1802 - A batalha por Nui Menara e a conquista do noroesteEditar

==== A partir de 1801 as divisões ideológicas entre os rebeldes dentro do território conquistado pelos Pohakus começaram a crescer. Isso provavelmente atrasou um pouco a tomada final de Nui Menara, permitiu que os portugueses realizassem algumas contra-ofensivas, e fez o teatro de operações da região de Anarico ficar quase restrito a pequenos episódios. Lono Kana’ana se queixava da maneira cada vez mais autoritária e centralista com a qual Iona’ala Ar’iko Hokumele conduzia a administração de seus territórios. Aparentemente, Hokumele ordenou a seus homens que afastassem de postos altos e até mesmo executassem os monarquistas liberais, ligados a Kana’ana e os Republicanos. Isso gerou certa tensão entre os principais líderes e generais do exército dos Pohakus e dos Ha’aheo, mas como Hokumele tinha grande legitimidade entre a população nativa era cada vez mais tido como o líder-chefe das revoltas. De todo jeito, o ataque a Nui Menara acabou saindo muito depois do planejado, fazendo com que os confrontos fossem longos. Com os portugueses altamente reforçados por milícias anti-rebeldes, a ofensiva começou em outubro de 1801 e só terminou em agosto do ano seguinte. Tratava-se da principal cidade do oeste da ilha e aquele confronto basicamente definiria os destinos desta frente de batalhas. As tropas regulares de ambos os lados duelavam em agonizante equilíbrio que gerava tensões, doenças, mortes e fome nas localidades de Nui Menara, Witike, Witiki’inas e Manusama. A conquista dos rebeldes teve como fator decisivo duelos no interior, onde se saqueavam terras das elites legalistas e pequenas revoltas autonomistas que explodiam dentro da impenetrável Nui Menara. Foi uma ação orquestrada entre rebeldes e Pohakus que permitiu a ação decisiva no 7 de agosto de 1802. Populares leais a Hokumele venceram a Guarda Municipal e atearam fogo ao prédio da Junta no início da Madrugada. Ao mesmo tempo, tropas avançavam pelo outro lado da cidade, que já estava sob domínio dos Pohakus há uma semana, causando enorme confusão às já enfraquecidas milícias legalistas. Na manhã seguinte, administradores, milicianos e apoiadores legalistas foram exilados, presos ou mortos. Hokumele entrou na cidade no dia 10, sendo aclamado por seus apoiadores e simbolicamente entrou acompanhado pelo povo na semi-destruída Junta de Governo. A primeira ação da administração rebelde foi fechar as rotas dos rios e impedir as principais rotas de comércio para o norte. Witike e Witiki’inas ficaram praticamente ilhadas e após um mês a administração portuguesa e os legalistas se renderam sem lutar após Hokumele ir acompanhado de 7 mil homens para a cidade. O mesmo aconteceu em outubro quando os Pohakus, acompanhados do que sobrou do Koa Akau Emerala se dirigiram para Esmeraldas. Sem dar tiros, os rebeldes arrebataram a porção noroeste da ilha e agora controlavam basicamente metade de seu território. Acuados, os portugueses concentraram-se em defender as importantes regiões de Bom Jesus e Anarico, as últimas da ilha que estavam inteiramente sob seu controle. Com o país sofrendo grave crise econômica e social, estradas e portos bloqueados, saques constantes em propriedades rurais e revoltas explodindo em cidades, os legalistas e a Coroa Portuguesa tentam um acordo de cessar fogo com Hokumele, no qual se comprometiam em não avançar para o ocidente por um período de um ano. Não apenas temiam os Pohakus como esperavam que o território controlado pelos rebeldes implodisse pela impossibilidade de administração. Mesmo com suas tropas esgotadas, o líder dos Pohakus recusa o acordo, no episódio que dá início à frente final de batalhas da Guerra de Independêndia. 

1803/4 - Anarico e Buen Viaje, a campanha final ====

Desde a morte de Pedro Silveira Kamuhoa e de outros grandes líderes rebeldes de Anarico e Buen Viaje os independentistas e autonomistas desta região ficaram quase restritos à táticas de guerrilha. Portugal e seus aliados por sua vez estavam apavorados, a Metrópole ficava na corda bamba entre apertar ainda mais uma já revoltada população para financiar a Guerra ou tentar lidar com a escassez de recursos sob o preço de não conseguir conter seus opositores. Fato é que o nativismo, independentismo e o sentimento anti-português (e em menor medida anti-espanhol) já estavam arraigados na população, sobretudo entre elite e trabalhadores urbanos. No entanto, a ausência de líderes dava uma vantagem momentânea aos legalistas, que por sua vez não imaginavam que Iona’ala Ar’iko Hokumele fosse avançar para leste, mesmo depois do Grito de Milino. De fato, essa não era a prioridade dos Pohakus do Oeste, sua ameaça soava mais como outro discurso anti-português. Porém, alguns fatores fizeram com que Hokumele fosse mais longe que qualquer líder político de Rapa Uro até então e tentasse controlar ao mesmo tempo a porção oeste e os territórios de Anarico. Sua situação, em termos de tropas e recursos, não estava exatamente melhor que a dos legalistas, porém os homens de Hokumele gozavam de uma aparente aprovação da maioria da população nativa. A Coroa Portuguesa por sua vez tinha aceitado um cessar fogo que não necessariamente reconhecia a autonomia da porção oeste da ilha, e Hokumele temia que os legalistas se reorganizassem para reconquistar a área. Além disso, o líder dos Pohakus tinha a clareza de que a Metrópole não dispunha de recursos nem de homens para enfrentar uma revolta de grande porte. Isso se aplicava também aos espanhóis, que estavam mais preocupados com as sangrentas guerras de independência na América Continental, onde tinham colônias para eles prioritárias. Por fim havia também a possibilidade de mais prêmios de guerra aos soldados e a própria ambição de Hokumele. A estratégia utilizada pelos Pohakus, em ajuda com os totores foi invadir primeiro o Vice-Reino de Buen Viaje, menor e pior equipado que o de Anarico, via mar com a tomada de Covas do Sul. O primeiro assalto em abril de 1803 acabou sendo frustrado, mas causou danos importantes aos espanhóis e uma minoria legalista. O segundo ataque veio em julho, com tropas mobilizadas por terra saindo de Benta Kalela. Ao todo, 8 mil homens reforçados por 3 mil apoiadores locais tomaram a cidade e saquearam estabelecimentos administrativos e propriedades legalistas após 3 dias de combates. Sem a capacidade de uma resposta imediata, amedrontados pela proporção da guerra que já durava sete anos e com preocupações maiores no continente europeu e nas Américas, os espanhóis praticamente abdicaram de Buen Viaje após a derrota, deixando a resistência à alguns poucos legalistas que quase nada puderam fazer. Pela primeira vez um exército liderado por um chefe do oeste avançava sobre o leste da ilha. A notícia caiu como uma bomba nas principais cidades que restavam sob controle português. Revoltas pró-rebeldes explodiram e deterioraram ainda mais a situação de legalistas e portugueses. A derrota do território espanhol de Buen Viaje deixava claro que Iona’ala Ar’iko Hokumele iria até o fim e que a situação estava muito aquém do que poderiam controlar. Com o apoio de poucos em Anarico os legalistas entenderam que suas chances seriam melhores se protegessem Bom Jesus pelo norte e impedissem as tropas rebeldes de avançarem a grande Floresta dos Tesouros de Covas do Sul rumo à Anarico. Durante o restante de 1803 foi ali que se deram as principais batalhas, com os rebeldes não conseguindo avançar para além de Quedas Tesourinas. Mas era a hora do golpe final. Com reforços vindos de Nui Menara, Lio Lapoa e Pusi Gao e adesões entre os nativos de Buen Viaje e guerrilheiros encostados no interior de Anarico, Hokumele comandou 15 mil homens para a tomada final da caótica cidade de Anarico. Muito maiores em número e motivação, as tropas deixaram Quedas Tesourinas no dia 2 de janeiro de 1804 e deixaram terra arrasada por onde passavam. Em 18 de fevereiro tinham tomado a Anarico que estava para fora da muralha, sitiaram a parte cercada da cidade e exigiam rendição dos legalistas. Tentaram resistir por 8 dias, mas em 26 de fevereiro se renderam e Hokumele entrou acompanhado de seu enorme exército e de suas bandeiras com a cruz no centro (dos Pohakus) e verdes-marrom (da extinta Anarico Livre) na segunda maior cidade da ilha. É nesta data que se comemora oficialmente a independência de Rapa Uro. No dia 28, Hokumele discursou sobre a libertação do jugo colonialista e de seus colaboradores e falava que os Uros eram novamente donos de seu próprio destino. Em abril suas tropas avançaram para Maisara’at e Bom Jesus onde não encontraram oposição armada. Em maio, toda ilha, à exceção de Hikina Kahua estava sob comando daquele que se tornou o líder maior dos Pohakus. A ilha de Rapa Uro não voltaria a estar sob o comando de europeus novamente.

Guerras de Continuidade (1804-1810)Editar

Após a expulsão dos administradores europeus, nada era certeza em Rapa Uro, a não ser talvez em Hikina Kahua. Aliás, a própria República do sudoeste do território, que havia inicialmente apoiado a luta dos rebeldes, olhava agora com forte desconfiança para as ambições de Iona’ala Ar’iko Hokumele. Isso porque até 1800 não estava claro que ele era o maior líder das revoltas. E até 1803 era loucura imaginar que comandaria suas tropas rumo à leste. A unificação do território era algo sem precedentes na história dos uros, que tão pouco sabiam qual seria o seu destino. A única coisa concreta é que 7 anos de uma guerra cruenta haviam feito o país sangrar física e economicamente quase até a morte. Hokumele teve de mostrar algo além de um guerreiro ambicioso nesse momento. Sua vitória, na prática, talvez tenha representado mais o triunfo das elites urbanas e marítimas sobre as elites rurais do interior do que a vitória dos povos uros sobre os dominadores europeus. O cenário do território destruído e politicamente fragmentado fazia com que ele, com o apoio de seus numerosos, violentos e motivados exércitos fosse o único capaz de comandar a nova configuração política. O problema é que nem ele imaginava o que isso significava na prática. Se proclamava o “Senhor dos Senhores dos Uros”, mas seguia sendo um Menara falando para os uros do leste que podiam considerá-lo um libertador mas não necessariamente o consideravam seu comandante de fato. Ficou inicialmente decidido um esquema de governança que segundo Hokumele correspondia às “Milenares tradições dos Uros”. Ele autoproclamou-se o Imperador de Rapa Uro, e o território ficou dividido nos Reinos de Anarico (que também englobou o então território espanhol de Buen Viaje), Nui Menara, Benta Kalela, Bom Jesus, Esmeraldina e Witike e Witiki’inas. Foram colocados no comando integrantes das elites locais fiéis ao líder dos Pohakus, que teriam relativa autonomia. No entanto rapidamente problemas começaram a aparecer. Dificuldades econômicas, divisões internas entre os rebeldes, alienação da elite interiorana e falta de reconhecimento do governo de Nui Menara geraram pequenas revoltas e até mesmo tentativas de secessão. Os historiadores rapaurenhos chamam estes conflitos de “Guerras de Continuidade”, por serem produto direto de questões mal resolvidas da Guerra de Independência. Nenhum deles chegou sozinho a ameaçar a ordem imposta, mas escancaram a dificuldade em estabelecer um Estado Moderno em Rapa Uro e as divisões políticas que perduraram no país para muito além da Independência. Hokumele acabou percebendo que um Estado pouco centralizado e de economia em muitos aspectos arcaica era inadequado para os novos tempos caso estivesse interessado em manter o território de Rapa Uro unificado. Por isso, buscou apoio entre os liberais que inicialmente havia reprimido, buscou legitimidade entre as potências europeias, encontrou na Inglaterra uma potencial aliada e promoveu um grande projeto de modernização da ilha. Ferrovias, rodovias, prédios, universidade, urbanização, tudo isso foi cuidadosamente planejado e levado à cabo de maneira por vezes exageradamente forçada. Tensões sociais, repressão, aumento da desigualdade e contração de dívida externa foram algumas das muitas consequências negativas destas políticas. De toda a maneira estavam lançadas as bases para a centralização e constituição de um Estado dos Uros. Em 1807 começaram os trabalhos para a elaboração da primeira constituição de Rapa Uro a partir de representantes escolhidos em Juntas Municipais. O documento estava pronto no início de 1808 e previa uma mescla de monarquia absolutista e parlamentarismo. Haveriam partidos e eleições no período de quatro em quatro anos, mas o Imperador seguia com poderes absolutos, poderia aprovar ou revogar leis, fechar o parlamento, convocar novas eleições e banir políticos. Foi uma meia vitória dos liberais e republicanos moderados. Com o voto censitário permitido apenas para homens, as primeiras eleições foram realizadas em 1810 e a participação autorizada dos partidos Liberal e Conservador. 

Império de Rapa Uro (1810-1884)Editar

Política e Economia do ImpérioEditar

Durante os 74 anos que se seguiram entre o fim das chamadas “Guerras de Continuidade” e o fim do Império de Rapa Uro muitas mudanças foram levadas a cabo na ilha. O governo tendeu cada vez mais à centralização política em torno da capital Nui Menara, o que gerou alguma tensão em zonas periféricas sobretudo até 1830, mas revelou-se essencial para a manutenção do território da Ilha. Quando Iona’ala Ar’iko Hokumele finalmente abdicou em nome do filho Kanemamo Hokumele no ano de 1841 já não pareciam haver grandes riscos de ruptura. A transição tão pouco foi tensa e Kanemamo acabou por ser aceito como herdeiro legítimo ao trono, demonstrando o estabelecimento definitivo do Império de Rapa Uro. O país foi banhado em ferrovias e posteriormente apostou na industrialização e no comércio marítimo. Kanemamo Hokumele, que foi educado na Inglaterra, acabou se tornando um importante líder que enxergava na ciência europeia combinada com a valorização nacionalista da cultura local o grande caminho para o desenvolvimento de Rapa Uro. Aproximou-se ainda mais dos liberais e levou adiante o programa de modernizações iniciado com seu pai. Perto 1880, Rapa Uro já tinha um alto índice de 40% de população urbana que era atentida por serviços de um crescente Estado. Um dos marcos da modernização rapaurenha veio em 1873, quando é fundada a Cidade Industrial de Findos Montes, no extremo oeste de Bom Jesus. A industrialização também é a aposta das regiões da Esmeraldina, Witike e Witiki’inas, Noroeste de Nui Menara e Benta Kalela, enquanto boa parte de Anarico, o leste de Bom Jesus e ainda independente República de Hikina Kahua segue baseando sua economia em comércio marítimo com outras Opeopeas e na agricultura. Outra consequências das políticas de modernização do Império de Rapa Uro foi o estabelecimento definitivo do português como idioma oficial. Como não havia exatamente um idioma franco uro, tanto Iona’ala quanto Kanemamo imaginaram o português como a língua para ser utilizada em meios oficiais e formais, até para melhor dialogar com as potências europeias. As eleições refletiram um pouco da mentalidade de cada monarca, inicialmente o Partido Conservador foi mais representado, mas no período final o Liberal era preponderante. O ano de 1862 representa um momento marcante para a história de Rapa Uro. Foi apresentado o “Plano Nacional de Imigração”. O objetivo era ocupar algumas áreas menos habitadas, atrair mão-de-obra para o país, que precisava de mais braços para levar à cabo os planos modernizadores, e modernizar o mercado de trabalho nacional. A imigração acabou tornando-se um fenômeno de longa duração e o país continuou recebendo uma alta taxa de estrangeiros quase continuamente até pelo menos o fim dos anos 1980. Entre os primeiros grupos de estrangeiros estavam espanhóis, portugueses, italianos, alemães, chineses, turcos, libaneses, ingleses e irlandeses, ainda que posteriormente este quadro se diversificasse bem mais. A demografia do país foi decisivamente alterado por esta política.

Imperialismo e anexação de Hikina KahuaEditar

Outra característica do período imperial de Rapa Uro foi a tendência ao imperialismo, seja comercial, seja via ocupação de outras nações. Iona’ala Ar’iko Hokumele acreditava que a única maneira do Estado prosperar no mundo da época é se fosse forte e expandisse seu comércio. De fato, o comércio com as Opeopeas era desde muito tempo uma das principais fontes de renda do povo uro, mas durante o século XIX um novo modelo foi concebido. Assim como Kaao Aina, Rapa Uro estabeleceu protetorados em pequenas ilhas vizinhas e buscou monopólios comerciais. Os governos destas localidades seguiam com certa autonomia, mas eram forçados a estabelecer pactos comerciais muito favoráveis aos uros. Maile Atunu (1847) e Laua Mau (1859) eram exemplos deste modelo, enquanto a Pedrália (1863) passou a constituir o território do país de fato, e acabaria por declarar a independência sem um grande confronto 20 anos mais tarde. A única alteração definitiva do mapa de Rapa Uro foi a anexação de Hikina Kahua. O território do sudoeste da ilha mergulhou em uma guerra civil no ano de 1822, quando o partido ligado à elite rural fraudou eleições e obteve a vitória. O então Presidente da República recusou-se a passar a faixa e os territórios do norte declararam que não reconheciam o governo, iniciando um confronto com a elite de Termas Reais e os navegantes de Wakahali pelo contorle da capital. O conflito permaneceu equilibrado por dois anos, com nenhum dos lados conseguindo obter grandes avanços. Em grave crise econômica e social, Hikina Kahua estava frágil e fora de controle, e voltava a mergulhar a ilha em uma guerra violenta. Para tornar a situação mais complicada, os chefes de Termas Reais romperam com os de Wakahali, fazendo o território ficar ainda mais fragmentado. Iona’ala Ar’iko Hokumele viu então uma oportunidade e ofereceu seu auxílio aos líderes locais do porto de Wakahali. A entrada do exército de Rapa Uro foi decisiva no confronto, e o argumento político é de que como os hikinos também eram uros, a guerra no território interessava à todos da Ilha. Em apenas três meses o conflito estava encerrado em favor dos líderes de Wakahali. Estes julgaram que a melhor maneira de preservar seus interesses comerciais era aceitar integrar o Império. O fim do conflito significou o fim do sonho dos republicanos em Hikina Kahua e a integração completa da Ilha de Rapa Uro no mesmo Estado. 

O fim do ImpérioEditar

Perto do fim do século, o modelo de modernização concebido por Iona’ala e Kanemamo Hokumele já dava sinais de esgotamento. É verdade que Rapa Uro conseuguiu vantajosos acordos comerciais com países vizinhos, mas seguia tendo uma relação muito deficitária com as nações europeias, sobretudo com a Inglaterra. A dívida externa era altíssima e o desemprego começava a crescer. Focado em conter os inimigos republicanos, liberais radicais e separatistas dentro da ilha de Rapa Uro, o governo perdia a influência externa. A independência de Pedrália em 1883, à qual Rapa Uro pouco se opôs, era um sintoma de decadência do modelo. Por fim, Kanemamo Hokumele já era um senhor, mas continuava resistindo abdicar em nome de algum de seus filhos. A própria imagem dele de certa forma transparecia o envelhecimento de um projeto de nação. O tiro final no coração do sistema foi uma grande greve em Nui Menara, que bloqueou os acessos da cidade e causou rastros de destruição em prédios públicos. Os manifestantes começavam a clamar contra a inoperância de Kanemamo e o medo de revolução ou nova guerra civil era alto. Muito pressionado pelos liberais, de quem sempre foi aliado, Kanemamo decidiu abdicar no dia 1 de setembro de 1884 em nome de seu filho José Leia’pona Hokumele. Junto com a renúncia, uma carta chamada “Declaração aos Uros”, na qual Kanemamo anunciava que os novos tempos pediam mais mudanças para os Uros e solicitava uma nova constituinte visando modernizar as estruturas do país. Na prática, a grande mudança da nova cosntituição, promulgada no final do ano seguinte foi aboliar os poderes especiais do Imperador. Rapa Uro agora passava a ser uma Monarquia Parlamentarista de facto, o que foi uma vitória das elites comerciais e derrota da antiga nobreza que se via agora extremamente reduzida. 

O início do Reino Unido (1884-1930)Editar

O início do Reino Unido de Rapa Uro foi marcado pelo domínio político do Partido Liberal no Congresso. As eleições ocorreram de quatro em quatro anos a partir de 1886, com a novidade de que o Primeiro Ministro era a principal figura do poder executivo. Os Conservadores ganharam o parlamento apenas nas eleições de 1902,1906 e 1918. Estruturalmente, o Reino Unido de Rapa Uro passou a adotar uma política de maior autonomia das regiões em relação ao governo central, reflexo de um território que já estava consolidado. A economia retomou o crescimento perto do fim do século XIX, seguindo os mesmos pilares de anteriormente: modernização e industrialização. Uro via no Japão um exemplo de potência não-europeia que começava a se destacar globalmente e procurou seguir este modelo, aumentando ainda mais o investimento em educação pública. Acordos foram firmados com esse país, que tornou-se o maior provedor de imigrantes para Rapa Uro no período entre 1900-1920. A imigração, sobretudo na Esmeraldina (para a indústria) e em Buen Viaje (para a agricultura) seguia sendo uma importante ferramenta de expansão da mão-de-obra e da economia. Outros asiáticos como os chineses, coreanos e indianos estiveram entre os principais grupos de estrangeiros que chegaram a Rapa Uro no período da virada do século. No entanto, o modelo de desenvolvimento seguia pouco inclusivo, e a crescente urbanização da população, juntamente com o sufrágio para todos os homens de etnia uro fez com que a política tivesse de se adaptar a novos agentes sociais. O Partido Trabalhista, seguido do Social-Democrata e do Popular (mais voltado para os camponeses) começaram a pressionar a hegemonia Liberal/Conservadora. De um modo geral o Partido Popular tendeu a aliar-se com o Conservador enquanto Social-Democratas e Trabalhistas aliavam-se ocasionalmente com os liberais. Surgiu também o Partido Comunista em 1915, que inicialmente não teve muita força. Além disso, situações de tensão entre imigrantes e uros começavam a pipocar por todo o país e o modelo por vezes forçado de modernização gerava revoltas constantes nas cidades e no campo. Globalmente, a Primeira Guerra Mundial foi o principal episódio internacional que marcou o período, mas Rapa Uro não se envolveu muito no conflito, dando não mais que um apoio nominal aos aliados. Os principais parceiros comerciais eram Inglaterra, Kaao Aina, Penharanda ,Japão e Estados Unidos. O mesmo não se pode dizer da Crise de 1929 e da tensão política mundial dos anos 1930 e 1940. O “Crash” afetou brutalmente a economia de Rapa Uro gerando ondas de desemprego e distúrbios sociais e iniciou um novo período na história da nação. 

Hegemonia Trabalhista/Popular (1930-1950)Editar

O período que se inicia em 1930 e se encerra pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial é marcado por intensa mobilização social em Rapa Uro e uma guinada política na nação. Desmoralizados pelos rápidos efeitos da Crise de 1929, Liberais e Conservadores acabam derrotados nas eleições pela aliança Trabalhista-Popular. Com a economia ainda em crise, a aliança ganha novamente a maioria em 1934 e 1938. Em 1941 se inicia um Governo de Exceção devido ao início da Segunda Guerra Mundial, que permanecerá no poder até 1946, ano no qual a aliança vence as eleições pela última vez. Esta reconfiguração política fez com que Liberais e Conservadores se tornassem aliados em nome do “establishment” e que os Social Democratas se aproximassem dos Comunistas. Uma das primeiras mudanças do novo governo foi estender o sufrágio à mulheres, rapaurenhos de origem portuguesa e inglesa e descendentes de outros povos opeopeos. Rapaurenhos de origem irlandesa, espanhola, japonesa ou chinesa, todos relevantes no quadro demográfico do país, seguiam sem direito à voto. Mesmo tendo permanecido 16 anos no governo, a aliança Trabalhista-Popular teve de lidar com muita tensão nas ruas e uma oposição feroz. A elite nunca deu seu apoio completo ao governo, ainda que tenha acalmado os ânimos a partir de 1932, quando a economia do país dava os primeiros sinais de recuperação. Os sindicatos estavam altamente mobilizados, e cada vez se influenciavam mais pelo discurso dos comunistas e dos social-democratas. Imigrantes pela primeira vez protestavam ferrenhamente por seus direitos. O discurso nacionalista adotado pelo governo não ajudou e gerou uma explosão de racismo e xenofobia em várias partes do país. Isso faz com que o governo de Rapa Uro feche suas portas à imigrantes pela primeira vez em 1936. Os Monarquistas começavam a mobilizar-se por temer o crescimento de Social-Democratas e Comunistas que eram alegadamente republicanos. Tinham um estranho aliado nos chamados “Mae Lauhikanas” (Partidários da Nação Pura), um partido de inspiração fascista que clamava por um ultra-nacionalismo xenófobo e pelo fim da democracia liberal. Na política externa, Rapa Uro foi ficando cada vez mais próxima da Inglaterra e dos Estados Unidos e cada vez mais distante do Japão. Isso em grande parte se devia às ambições imperialistas japonesas, que assustavam o governo Uro, temeroso de uma invasão nipônica na Oceania. Quando a guerra explode em 1939, os Uros inicialmente se mantêm neutros, mas acabam por declarar apoio aos aliados em 1941, quando se instala o Governo de Exceção. Com a entrada dos Estados Unidos na Guerra do Pacífico, Rapa Uro envia 30 mil soldados para o front, que combateram em Guadalcanal e na reconquista das Filipinas. Durante todos esses anos o temor crescente de uma invasão japonesa - que acabou por não se concretizar - tomou conta dos governos e de grande parte da população rapaurenha. Isso gerou tristes episódios de violência, racismo e xenofobia contra os imigrantes japoneses e seus descendentes no país. Linchamentos, desapropriação de bens, prisões arbitrárias e humilhações públicas eram dirigidas especialmente aos nipo-rapaurenhos, mas acabaram voltando-se contra outros grupos de imigrantes como chineses, libaneses e irlandeses. A Segunda Guerra acabou por marcar uma diferenciação clara entre os termos uro (etnia) e urenho (nacionalidade), e deixou abertas cicatrizes de racismo que o país demorou a curar. Ao fim do conflito mundial, a economia de Rapa Uro mostrava sinais de desgaste, mas o crédito que o Governo de Exceção ganhou pela vitória no front do Pacífico garantiu mais uma vitória eleitoral. Em 1950, o país continuava estagnado e tentava recuperar-se da enorme tensão social que perdurou por uma década. Foi aí que veio a surpresa nas urnas. Os Social-Democratas, apoiados pelos Comunistas, conquistaram a maioria no congresso e iniciaram um novo período de hegemonia política no país. 

Hegemonia Social-Democrata (1950-1974)Editar

Entre 1950 e 1974 o Partido Social-Democrata foi o mais votado de Rapa Uro (ainda que nunca tenha obtido maioria) e nomeou todos os Primeiros Ministros. Em 1950 eles venceram com o apoio dos Comunistas, gerando um verdadeiro temor entre elites, conservadores e monarquistas. Por algum tempo se falava em Golpe Militar, ou mesmo um Golpe Monarquista como maneira de impedir o “mal comunista” que se aproximava. A aliança Social-Democrata/Comunista teve que dar passos atrás para conseguir governar e o primeiro deles foi o abandono quase completo do republicanismo. Uma das principais medidas adotadas logo no primeiro governo foi o sufrágio universal para todos os rapaurenhos (termo que ficou difundido exatamente nessa época), permitindo que descedentes de imigrantes também pudessem votar. Foi um período de grande crescimento das funções do Estado, que apostou em um modelo progressivo de bem-estar social, inspirado nas social-democracias europeias. Direitos trabalhistas, avanço real do salário mínimo e reforma tributária foram alguns dos principais legados destes 24 anos de Social-Democracia no poder. Seguindo a tendência global, Rapa Uro voltou a crescer e retomou a industrialização e a imigração. O país continuou recebendo imigrantes japoneses, que agora se juntavam à filipinos, vietnamitas, nigerianos e latino-americanos. No fim deste período, 32% da população nacional era estrangeira ou descendia de imigrantes, e a Esmeraldina tornou-se a primeira (e até hoje única) Comunidade a ter uma maioria de não-uros na população. O discurso humanista que crescia pelo mundo ajudou a reduzir a xenofobia no país, mas socialmente Rapa Uro continuou segregada. Em 1954, a aliança só consegue eleger-se com o apoio dos Trabalhistas. Com o afastamento definitivo de Uro com a União Soviética, os Comunistas voltam à oposição em 1958. O Partido Popular praticamente desapareceu, com alguns setores migrando para o Trabalhista e outros para o Conservador. Este último permaneceu fortemente ligado ao Liberal. Os fascistas Mae Lauhikanas foram ilegalizados, e permaneceram apenas como um movimento de rua nos subúrbios do país. Seus líderes políticios ou se juntaram aos Conservadores ou militaram no minúsculo Partido do Povo Uro. A década de 1960 marcou uma estranha estabilidade no país, sem guerras, sem maiores tensões sociais aparentes, com economia crescendo. Mas a falta de políticas de inclusão, a crise do petróleo, o afastamento dos Social-Democratas de sua base e escândalos de corrupção moveram Rapa Uro para um novo momento nos anos 1970.

Liberalismo e Tensão étnica (1974-1994)Editar

Em 1974, a coalizão Social-Democrata Trabalhista acabou derrotada pelos Conservadores, Liberais e pelo novo Partido Democrata nas eleições por uma margem pequena. A vitória marcou o fim da expansão do Estado de Rapa Uro e a retomada de políticas liberais na economia, bem como aproximação dos Estados Unidos e da OTAN. Os sindicatos tiveram que voltar às ruas em peso, para lutar contra governos que não eram tão sensíveis às suas pautas. Ainda assim, com base no apoio das elites de Nui Menara e Benta Kalela, além das populações menos abastadas de Hikina Kahua, a coligação manteve-se no poder por três eleições consecutivas. Em 1986 e 1994 não houve vencedor claro, e os Trabalhistas passaram a compor o governo coalisão. Além de movimentos de trabalhadores, o período foi marcado por movimentos de imigrantes e seus descendentes. Ainda que beneficiados por medidas tomadas no período anterior, nunca foi feito um esforço real para incluir socialmente estes grupos no cotidiano nacional. O racismo seguia sendo um problema sério, e os anos 1980 assistiram ao crescimento de movimentos nacionalistas de rua que espancavam e depredavam estabelecimentos de urenhos de origem imigrante. Os governos pouco fizeram para frear este fenômeno. Localidades como Nui Menara, Anarico, Findos Montes e Covas do Sul foram palcos de protestos e distúrbios. Com o Partido Comunista rachado pela questão do estalinismo e da decadência soviética e com Trabalhistas e Social-Democratas distantes de sua base tradicional, surge em 1983 o Partido Socialista dos Trabalhadores. Esta nova agremiação faz uma forte defesa do Estado de Bem Estar Social (que vinha em redução no período) e retomou a pauta do republicanismo. No entanto, o que o diferenciava da esquerda tradicional do país é que pela primeira vez um partido estava pautando fortemente a questão da inclusão social de “rapaurenhos não uros”. O PST consolidou-se dessa forma como um partido de “minorias” e sua entrada no congresso foi essencial para que a questão do racismo fosse finalmente encarada com seriedade por políticos do país. A economia de Rapa Uro ia aparentemente bem no início dos anos 1990, com expansão da classe média e crescimento das empresas privadas. Mas em 1992 estoura uma bolha imobiliária e a Bolsa de Ungire cai 30% em um mês. O país entraria no período de maior crise econômica desde os anos 1930, encerrando um ciclo de governos centristas de coalizão.

Crise e retomada (1994-2006)Editar

O estouro da bolsa jogou o país na instabilidade política nos anos 1990. Uma coalizão entre Democratas e Trabalhistas venceu as eleições de 1994 mas não teve sucesso em sua empreitada. O desemprego disparou para 16%, algumas importantes empresas estatais eram vendidas e as políticas de arrocho salarial começaram a ser implantadas no país. O neo-liberalismo chegou à Rapa Uro em sua pior forma. Envolvido em um escândalo de corrupção na venda de uma empresa nacional de mineração, o governo se viu forçado a chamar eleições antecipadas em 1996. Liberais e Conservadores retornaram ao poder, mas de mãos completamente atadas, enfrentando forte mobilização social, greves e endividamento externo. Neste quadro, o governo perdeu as eleições de 2000. Social Democratas e Trabalhistas montaram tomaram o congresso, e foram capaz de reduzir o desemprego a 11% mas não promoveram crescimento real dos salários e ainda por cima reduziram direitos trabalhistas. O Partido Democrata terminaria as eleições de 2002 como vencedor, apoiado no governo por Liberais e Conservadores.  crescimento do país foi retomado, mas à essa altura Rapa Uro tinha sofrido consideráveis perdas em seu importante parque industrial e redução do Estado de Bem-Estar Social montado na segunda metade do século XX. Uma das conquistas dos anos 1990 foi o avanço no combate ao racismo, com campanhas públicas e políticas de afirmação sendo adotadas tanto em esfera nacional como em esfera regional. O crescimento do PST, que em 2002 se tornou a maior força de oposição da ilha refletia este esforço. Com todos os partidos tradicionais muito desgastados - apesar da retomada de crescimento econômico a partir de 2004 - o PST entrou como favorito às eleições de 2006. Com a nipo-rapaurenha Blanny Koga como primeira da lista, o PST obtem 46% dos votos e monta governo com o apoio dos Social-Democratas e posteriormente dos Trabalhistas. A eleição é um marco em Rapa Uro, pela primeira vez os rapaurenhos elegem uma mulher e também um descendente de imigrantes para o cargo de Chefe de Estado.

Os anos de PST (2006-2016)Editar

Assim como nos anos 1950, houve um grande temor das elites uros acerca da vitória do PST. Koga é uma figura carismática que conseguiu mobilizar tanto as minoriais quanto a esquerda, e alguns falavam na volta dos conflitos étnicos e até em guerra civil. Em 2010, Koga foi reeleita com muita aprovação popular, ainda que seu partido não tenha, por muito pouco, conseguido a maioria. Mas assim como seus predecessores no campo da esquerda, o PST teve que dar passos atrás para governar, e o primeiro deles foi mais uma vez o abandono da promessa de referendo acerca da monarquia. No campo sócio-econômico, houve uma retomada das funções do crescimento do Estado (sobretudo na área da educação), fortalecimento de empresas estatais e ampliação das políticas de afirmação para minorias. Isso fez com que o PST se tornasse muito popular no leste e nas regiões de alta concentração de descendentes de imigrantes e pouco popular entre as elites uros, sobretudo as de locais mais ligados ao conservadorismo nacionalista como Nui Menara, Benta Kalela e Lio Lapoa. Na política externa, os governos do PST apostaram muito na integração com as Opeopeas e tomaram medidas esquerdistas e progressistas, como apoio à Palestina, aos governos da esquerda latino-americana e entrada no Pacto de Kvarenshovsky. A economia experimentou grande crescimento acompanhado de ganhos salariais reais até 2008. Quando houve a Crise Econômica, a economia chegou a cair 2,1% em 2009, mas o desemprego não explodiu e em 2011 a ilha já voltava a se recuperar lentamente. No entanto, as políticas sociais, assim como os ganhos reais, pararam de crescer desde então, o que fez com que o governo enfrentasse uma tensa eleição em 2014. Soma-se a isso ao racha interno do partido que acabou com a fundação da “Nova Esquerda”, devido à opção por lançar Koga mais uma vez (ela se tornou a primeira Chefe de Estado por três mandatos consecutivos) e quase completo abandono da discussão republicana. Em 2014 o PST ficou com 41% dos votos, mas conseguiu a maioria apoiado por Trabalhistas e Social-Democratas. A direita no momento está reorganizada em torno do Partido Democrata e com algum apoio dos Conservadores e Liberais, que tornou-se um pouco mais nacionalista recentemente. O partido Republicano representa uma espécie de republicanismo aliado à liberalismo econômico e tem ganhado adeptos entre as minorias que não se identificam tanto com as pautas à esquerda do PST. Comunistas e Nova Esquerda são uma importante oposição socialista ao governo atual, ainda que mantenham uma relação até certo ponto amistosa com o PST. Por fim há o partido Uro Apuni’alo, que defende um nacionalismo étnico conservador e monarquista. 

Esportes Editar

Os rapaurenhos tem uma forte relação com os esportes. A estrutura esportiva do país é relativamente boa e o governo de um modo geral deu boas condições para a prática esportiva nas escolas.

O futebol é o esporte mais popular do país. A modalidade chegou à Rapa Uro no fim do século XIX, trazido por imigrantes ingleses que vieram junto com os Planos de Imigração e Modernização do país. Era popular, de início, na Esmeraldina e nas cidades portuárias. Inicialmente praticado pelas elites, o esporte se massificou no início do século XX, quando chegou à vilarejos e em todas as grandes cidades, e passou a ser praticados sobretudo por trabalhadores de fábricas. Foi também uma importante ferramente na afirmação de identidades regionais, nacionais e étnicas. A principal liga de futebol masculino da nação é a Mamalu Vaega. A pirâmide do futebol masculino rapaurenho tem atualmente 5 divisões e 172 clubes. No feminino, a principal competição é a Auro Fasologa. A pirâmide tem 3 divisões e 68 clubes.

O rugby union é atualmente a segunda modalidade esportiva do país em termos de público e de atletas profssionais. Chegou à ilha também no fim do século XIX trazido por imigrantes ingleses. Era um esporte bastante elitizado até o fim dos anos 1950, quando ganhou popularidade influenciado pela melhor estruturação em clubes, sua chegada nas escolas e o contato com outros países da Oceania. A principal liga masculina do país é a Top 12 e sua análoga feminina é a Top 10.

O beisebol também é um esporte popular em Rapa Uro. Foi trazido por imigrantes japoneses no final do século XIX. Permaneceu praticamente como um esporte desta comunidade até os anos 1960, quando foi levado para as escolas e começou a massificar-se. Atualmente o é o terceiro esporte do país em número de espectadores. Tem muita popularidade em Esmeraldina, Anarico, Buen Viaje e Hikina Kahua.

O basquete e o vôlei popularizaram-se no país por volta da metade do século XX. Ambos tem ligas profissionais masculinas e femininas e uma razoável base de fãs. São respectivamente o segundo e o terceiro principais esportes coletivos do país em número de praticantes. 

O futebol americano é um esporte em crescimento em Rapa Uro. Atualmente a Liga Nacional de Futebol Americano possui 16 equipes e está em vias de profissionalizar-se. Desde 2003 é semi-profissional e conta com diversos atletas vindos dos Estados Unidos.

Entre os esportes não coletivos mais populares de Rapa Uro estão a Ginástica Artística, o Judô, o Tênis de Mesa, o Tênis e o Atletismo. Alguns atletas como Túlio José (Judô), Mariko Tairakawa (Tênis de Mesa) e Catarina Olmedo (Tênis) são celebridades nacionais. 





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